Fundamentos do impeachment

Governo empilha erros que podem engatilhar uma reviravolta

Alguém ainda se lembra do Itamar Franco, o vice-presidente de Collor, que governou o Brasil de 1992 a 1994?

Era temperamental, mal-humorado, “mercurial”, como diziam alguns analistas políticos tradicionais como Villas Boas Correa.

No entanto, aquele mineiro de Juiz de Fora era um gentleman se comparado ao atual presidente.  

Jair nos deixa sem argumentos. É tresloucado. Irracional.

Em certos aspectos podemos compará-lo a Jânio, mas esse tinha cultura, era teatral, calculava os gestos, ensaiava as frases.

Jair não, parece estúpido com suas respostas estapafúrdias e seus tuites amalucados. Age por impulso, influenciado por palpites e sugestões de amigos e parentes. Educou os três filhos para agirem como machos agressivos e talvez venha a pagar caro por isso, sem que jamais lhe ocorra a pergunta ONDE FOI QUE ERREI?

Isso não apenas em relação aos filhos, todos supostamente blindados pela imunidade parlamentar. Com seu primarismo político e ignorância econômica, Jair desrespeita a inteligência nacional ao nomear pessoas despreparadas como ministros e ao propor medidas que atentam contra a civilização.

Vivemos uma situação tão maluca que, dias atrás, o deputado Tiririca ousou dar conselhos ao presidente. Sugeriu que Jair baixe a bola, seja humilde. Faz sentido? A galhofa como saída...  

Na democracia, nenhum macaco pode pensar que está 100% seguro no seu galho. E até aqui não falamos de relações espúrias do ex-capitão Jair com agentes privados da segurança do Estado do Rio de Janeiro, base política dessa família que emergiu do nada em desafio aberto à disciplina militar. Ele foi reformado e não expulso porque tinha o respaldo de uma certa linha dura da qual é porta-voz.

Se os deputados federais acharem que é hora de rifar Jair, eles o farão sem vacilos na hora propícia. Basta que haja um pretexto ou se crie o clima.

Hoje não há gatilho mais eficiente para uma reviravolta do que a crise econômica, com 40% da população economicamente ativa mergulhada no desemprego, no subdesemprego, no desalento ou na miséria.

Se é cedo demais para propor o impeachment, pois antes da metade do mandato presidencial seria necessário fazer uma nova eleição, em 2021 o impedimento significaria substituir o capitão Jair pelo general Mourão, o vice de plantão, pronto para exercer de direito e de fato a tutela militar sobre o modo brasileiro de governar.

No atual momento, o vice representa o bom senso, o equilíbrio, a temperança. Pode ser uma simples máscara, mas é o que há em cena. Se não funcionar em 2021, pode servir para 2022.  

LEMBRETE DE OCASIÃO

“Em um contexto de alta capacidade ociosa e elevado desemprego, o principal problema macroeconômico é a falta de demanda, não a restrição de oferta”.

Nelson Barbosa, economista, professor da Fundação Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda no final do governo Dilma (2015/16).

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1 Comentários
  • Elder Ferreira , domingo, 14 de julho de 2019

    Pois é, e ainda existem jornalistas que ficam escrevendo, defendendo ou apoiando, não interessa, fazendo de conta que tudo isto é sério... na minha opinião, não, não é! É como se tivesse sido eleito para presidente o dono do buteco copo sujo do subúrbio... daqueles barrigudos que usam camiseta suja e andam com o pano de pratos sobre o ombro e vivem praguejando porcarias sobre tudo e todos... E alguns ainda ficam discutindo sobre "direita" e "esquerda"...