Dia Mundial do Meio Ambiente: a Vale tem de responder por seus crimes

O mínimo que se espera é que as instituições atuem para evitar novos danos e exijam mais agilidade na recuperação dos locais afetados

Neste dia 5, data Mundial do Meio Ambiente, é de se lamentar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha emitido nota liberando consumo parcial de peixes do Rio Doce, mesmo admitindo que os estudos apresentados para efeito de análise são incompletos. A pesquisa foi feita pela Fundação Renova e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em análises de 76 espécies de peixes de água doce e salgada, quatro de camarão e uma de lagosta. 

Segundo a Anvisa, o levantamento possui algumas limitações, pois “não permite avaliar se as espécies coletadas correspondem àquelas que são consumidas na região”. E ainda: “que a avaliação feita considerou apenas os dados disponíveis, que são limitados, pois não incluíram outras fontes alimentares que são consumidas pela população” da área atingida pelo desastre ambiental do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. 

E talvez o mais lamentável é que a agência, mesmo criticando a qualidade da análise, emita nota técnica aconselhando que “o consumo diário de peixe da região não deve ser maior que 200 g para adultos e de 50 g para crianças, quantitativo esse definido levando em consideração os níveis de contaminação encontrados nas amostras e os níveis tolerados de resíduos”. Liberou o consumo, mas continua proibindo a pesca nas áreas atingidas. A concentração de mercúrio e chumbo nos peixes, coletados, segundo a Anvisa, causa preocupação, pois ultrapassou a ingestão máxima tolerada.

Enfim, trata-se de uma irresponsabilidade com a população recomendar o consumo de um produto contaminado. E mais: tal comunicado, feito desta forma, não colabora para reparação dos danos ambientais e humanos causados pela Samarco/Vale- BHP neste crime ambiental. 

Se os pescadores não podem trabalhar, é obrigação das empresas indenizar essas pessoas. Os crimes cometidos pelas empresas acumulam danos ao meio ambiente, são responsáveis por centenas de mortes, considerando inclusive o último de Brumadinho, também em Minas. 

No desastre de Fundão, conforme relatado na audiência pública que fizemos no último dia 22 de maio, na Assembleia Legislativa, foram inúmeros relatos de mortes e moradores adoecidos também pela ingestão de alimentos contaminados, sem qualquer assistência por parte das causadoras do desastre. Paira no horizonte ainda mais devastação, com a possibilidade de rompimento da barragem em Barão dos Cocais (MG). 

O mínimo que se espera é que instituições responsáveis pela cobrança dos passivos ambientais e sociais dos crimes causados pela Vale e as empresas do grupo (Samarco, Vale e BHP Billiton) atuem para evitar novos danos e exijam mais agilidade na recuperação dos locais afetados e reparação às famílias de vítimas de todas as comunidades atingidas.


Iriny Lopes é deputada estadual e membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.