Ataque e defesa

A pressão dos policiais civis por melhoria salarial pode esconder movimentos ligados à sucessão estadual

Não são apenas meros discursos reivindicando melhorias na estrutura de trabalho dos policiais civis, como registrado nessa segunda-feira (8), na Assembleia Legislativa. Pelo tom dos pronunciamentos, o mercado político sinaliza movimentos relacionados à sucessão dos atuais gestores públicos, em especial do governador Renato Casagrande, em 2022. 

O líder do governo, o experiente deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), rebateu as críticas dos dirigentes sindicais e se colocou em posição de ataque: “Chegaram aqui vociferando como se estivessem defendendo interesses que não são os da categoria”. Em seguida, chamou-os a “discutir sem demagogia”. 

Acusações à parte, até porque a atuação dos policiais sindicalistas não pode ser tachada de demagógica, fica evidente, no entanto, que o embate político está em pleno desenvolvimento. 

Candidato à reeleição com um nível próximo de imbatível, Renato Casagrande expõe o seu calcanhar de Aquiles exatamente na questão salarial dos servidores públicos, na qual se insere desde o início gestão. Ao afirmar que não existe possibilidade de reposição salarial, o governo manteve o mesmo cenário do anterior. 

Os pronunciamentos dos dirigentes sindicais dão a medida desse risco. Em todos eles, estava presente a ameaça de serem colocadas em prática ações que vão de encontro à governabilidade, resultando em prejuízos à sociedade, e provocando, em consequência, perdas eleitorais. 

Vale lembrar a greve da Polícia Militar de 2017 como um dos fatores que jogaram por terra a pretendida reeleição do então governador Paulo Hartung. Tanto é assim que esse acontecimento foi citado nos discursos dos policiais, nessa segunda.

Por isso, o movimento dos sindicalistas possui vertentes identificadas no mercado que se relacionam com forças políticas interessadas na sucessão de 2022, a partir do crescimento obtido nas disputas municipais em 2020. Essas articulações envolveriam alguns pré-candidatos a prefeituras da Grande Vitória. 

Nomes como os dos deputados Lorenzo Pazolini (sem partido) e Danilo Bahiense (PSL), ambos delegados da Polícia Civil, e também do presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB), circulam no mercado político como integrantes de movimentos que interagem com o setor sindical a fim de alcançar seus objetivos, como afirmou nas entrelinhas o líder do governo, Enivaldo dos Anjos. 

Como esses, outros personagens também se organizam, muitos deles em torno do deputado Erick Musso, que lidera um grupo de onde deverá sair o oponente do atual governador.  

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