A pressão das ruas

Ato unificado deste 15 de maio reflete a insatisfação da sociedade e serve de embrião da greve geral

Este 15 de maio traça uma linha divisória entre a euforia de um novo governo e a realidade de uma gestão vazia, que gera o nascimento de focos de pressão passado apenas um curto período de quatro meses. 

As manifestações de rua previstas para estra quarta-feira (15) em todo o país, Vitória e interior do Estado incluídos, representam o elevado nível de insatisfação da sociedade, em decorrência de atos nocivos adotados por uma equipe de gestores descompromissados com anseios e direitos sociais. Mais lastimável: o governo Jair Bolsonaro parece desconhecer a importância da educação como fator imprescindível ao desenvolvimento de uma nação.

O anúncio de cortes de 30% de verbas do setor espalhou uma onda de protestos, que invadiu as redes sociais de manifestações autênticas de quem sente na carne o peso do descaso institucional e, ao mesmo tempo, vê crescer privilégios a setores integrantes de uma elite bem próxima ao poder político. 

Os atos desenvolvidos desde a semana por estudantes e professores das universidades e institutos federais receberam um reforço significativo, que vão desde centrais sindicais a movimentos sociais, transformando-se em ações concretas de pressão ao governo central da República. 

Apesar de ser um movimento específico da área educacional, as mobilizações trazem à tona fatos históricos relevantes da vida nacional, como a resistência do movimento estudantil ao golpe militar de 1964, os “caras pintadas”, que confrontaram o desastroso governo de Fernando Collor e, o mais recente, no último dia 8, embrião das concentrações desta quarta-feira. 

Aos protestos contra o congelamento de verbas para a educação, somam-se ações relacionadas à reforma da Previdência e o decreto do armamento, temas alvos de críticas e em debate no País.

O grito dos estudantes e professores desta quarta-feira será mais um avanço de forças representativas da sociedade, que funcionam como canal para a consolidação da greve geral marcada para o próximo 15 de junho. No rol das questões, além do corte de verbas, que representa uma ameaça às universidades e aos  institutos federais, e a elevação do tempo de trabalho dos professores para ter direito à aposentadoria, sobressai-se a paralisação da economia e o desemprego de mais de 12 milhões de brasileiros.

A pressão dos jovens promete ser forte.  A esperança é que, a partir dessa tomada de posição, os que estão no exercício do poder despertem e assumam os compromissos a fim de atender aos anseios da população. Para que não sejam soterrados pelo grito das ruas. 

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