A marca ruim que fica

A reforma da Previdência deixa uma marca indelével aos que votaram por sua aprovação e que irá se refletir nas próximas eleições

Miguel Madeira e Weslei Scooby são trabalhadores, dirigentes sindicais e organizadores dos movimentos contrários à reforma da Previdência. Eles falaram sobre os prejuízos da proposta, nessa segunda-feira (5), na sessão de reabertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa. 

O relato sobre a perda de direitos de grande parte da população para uma plateia formada por reduzido número de deputados e poucas dezenas de trabalhadores, a maioria dirigentes de entidades sindicais, traz à memória que apesar de milhares de atos contrários à reforma Brasil afora, como os de Miguel Madeira e Weslei Scooby, a aprovação em segundo turno já está consolidada. 

A vitória do governo ocorrerá até quinta-feira próxima (8) na Câmara dos Deputados, em Brasília. Para tanto, vê-se que as circunstâncias de cada parlamentar importam mais do que necessidades básicas da população. Favores pessoais e os bilhões de reais liberados em emendas parlamentares falam mais alto do que simples pensões a serem pagas a viúvos, ou a redução da jornada de trabalho nas funções consideradas de risco e insalubres, entre outros direitos e benefícios, incluindo aqueles concedidos aos trabalhadores no campo. 

Os mais pobres são punidos, enquanto os privilégios permanecem sempre em escala ascendente para os mais abastados, seguindo as regras da cartilha do Paulo Guedes, o ministro da Economia, encarregado das articulações junto às camadas técnica e intelectualmente mais capacitadas, deixando Jair Bolsonaro livre para desempenhar o papel que lhe foi confiado, de trapalhão, desastrado, um falastrão despreparado. 

Um engano colocado goela abaixo na maioria da população. O presidente pode até exagerar na dose, em certos momentos, mas ele sabe o que faz e seus atos e a sua figura demonstram de uma forma exata o que ele é: um homem mau, “treinado para matar”, segundo suas próprias palavras.

Ardiloso, consegue enganar multidões e até o público evangélico deixa a mensagem de paz de Cristo e, levado na onda do engano, defende a tortura e torturadores e se coloca ao lado da violência e do terror. Muitos são estimulados por líderes religiosos, os chamados pastores, gananciosos e cheios de vaidade.

Os discursos de Miguel Madeira e Weslei Scooby não mudam nada em termos da aprovação da reforma. No entanto, impõem uma marca à bancada capixaba, que se deixou convencer por sofismas engendrados por especialistas e bem colocados pela mídia familiar corporativa, altamente qualificada na manipulação da massa desinformada. Esse sinal, um ano antes das eleições municipais, impõe um fator negativo aos deputados federais Amaro Neto (PRB), Da Vitória (PPS), Soraya Manato (PSL), Evair de Melo (PP), Felipe Rigoni (PSB), Lauriete (PL), Norma Ayub (Dem) e Ted Conti (PSB).

Favoráveis à reforma, muitos deles são potenciais candidatos às eleições municipais no próximo ano e à reeleição em 2022. Todos, sem exceção, ostentarão a marca que os coloca em cumplicidade com um governo cuja tônica principal é a redução de direitos sociais, retrocesso em todas as áreas, em meio ao falso moralismo, o enganoso combate à corrupção e entreguismo sem limite que transformam o Brasil em uma colônia norte-americana, como Porto Rico. 

Para nosso consolo, o cenário violento e desumano em construção já dá mostras de que poderá desmoronar antes de concluído. Grandes empresários já tentam mudar de lado, com um novo discurso contra a chegada das grandes empreiteiras norte-americanas, que tomam o lugar das nacionais, destruídas pela Lava Jato em nome do falso combate à corrupção. Os mais de 13 milhões de desempregados estão aí, prova dessa calamidade. 

O tempo é mau, apodrece, mas poderá se renovar com a rejeição dos cidadãos a políticos descompromissados com o coletivo.  

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1 Comentários
  • machado , quarta, 07 de agosto de 2019

    É por causa de pessoas como esse colunista que a esquerda fica mais distante dos anseios do povo. Reformar a previdência é o óbvio ululante, mas esse Senhor, saudosista da era lulopetistas, insiste em não enxergar a realidade fiscal brasileira. É o típico adepto do "quanto pior melhor"; pois, dessa forma, ele alimenta a esperança do retorno da quadrilha ao poder. Lamentável isso.