A agenda dos servidores

As reivindicações são plenamente justificáveis, em especial as salariais, mas possuem ingredientes político-partidários alimentados pelo PSL

A um ano das eleições, o governador Renato Casagrande assiste a explosão de uma bomba anunciada desde o início da atual gestão, trabalhada, até agora, considerando o ambiente em crise e de incertezas no cenário nacional, com a economia em recessão técnica, mesmo quadro registrado internacionalmente. Essa postura, no entanto, não se mostra suficiente para acalmar os ânimos dos servidores públicos, com salários defasados, uma reclamação herdada do governo anterior e até então sem um enfrentamento objetivo em busca de solução.

Ressalte-se, nesse quadro, a questão da Polícia Militar, não solucionada pela via da anistia aos participantes da paralisação de fevereiro de 2017, muito bem recebida pela tropa, mas que esbarra justamente na reivindicação maior, que é a reposição salarial e melhoria das condições de trabalho. 

Vale lembrar que a paralisação da Polícia Militar e os problemas por ela gerados em 2017 formam a motivação maior da derrocada do então governador Paulo Hartung, levando-o a desistir de concorrer à reeleição em 2018. 

Trancado na ausência de diálogo com os servidores e jogando todas as cartas no ajuste fiscal que poderia fortalecê-lo no cenário nacional, envolveu-se numa onda de descrédito junto a mais de 90 mil eleitores. Como resultado, suas pretensões de ter um quarto mandato à frente do Executivo estadual minguaram. 

Como da vez anterior, a movimentação dessa sexta-feira (30) também possui ingredientes político-eleitorais, essenciais à definição das eleições municipais do próximo ano, um canal direto da organização de articulações que desaguarão na sucessão do governo em 2022. Renato Casagrande é um dos maiores interessados, já que deve disputar a reeleição.

Não por mera coincidência, a marca mais destacada da oposição é o deputado estadual Capitão Assumção, líder do PSL na Assembleia Legislativa. Em sua pauta de discursos e projetos, além da exaltação isolada e sem nexo do governo Jair Bolsonaro, as reivindicações da Polícia   Militar, que engrossam os movimentos do seu partido com vistas aos pleitos de 2020 e 2022. 

Ou seja, na base de toda a movimentação, a disputa eleitoral tem bastante peso, considerando as alianças já formalizadas e outras em andamento. Entre elas, pré-candidaturas sinalizadas no mercado político, parte do projeto de ampliação do PSL, que avança mesmo com as ameaças ao presidente da República. Perdido em labirintos construídos por sua incapacidade em ocupar o cargo, corre o risco de se apequenar ainda mais, perdendo o poder. 

A reposição da inflação reivindicada pelos servidores, da ordem de 5,5%, referentes a abril de 2018 a julho de 2019, merece a abertura de um diálogo objetivo, considerando, principalmente, o crescimento da receita de 13,8% neste ano e a estimativa de um crescimento da economia em 2019 acima da média do país.  

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